Polícia italiana prende 22 anarquistas em Florença

Um total de 22 pessoas foram detidas pela polícia italiana hoje (4 de maio) em Florença durante uma operação contra militantes anarquistas acusados de danos a bancos e instituições e sabotagem de sistemas de vídeo-vigilância e de transporte.
A polícia disse que os detidos, com idades entre 20 e 30 anos, são estudantes e membros de um local chamado “Espaço Liberado 400 Golpes”.
A operação foi coordenada pela Direção Central de Prevenção da Polícia de Florença, após uma investigação da Agência de Informação e Segurança Interna.
De acordo com um comunicado da polícia, no total 78 pessoas foram investigadas em relação a uma série de ataques a caixas eletrônicos de vários bancos e instalações de vídeo-vigilância em Florença.
Além disso, dizia a nota, os detidos atacaram em várias ocasiões a sedes de partidos políticos, sindicatos e outras instituições nacionais e internacionais, além de bloquearem o serviço de transporte ferroviário e algumas estradas.
Os 22 detidos foram acusados de conspiração, ocupação ilegal de prédios públicos, danos à propriedade privada, resistência e ultraje contra as autoridades públicas, violência privada e perturbação do serviço público.

Fonte: agências internacionais de notícias

agência de notícias anarquistas-ana
na cama de nuvens
o sol espreguiça-se
oblongo
Eugénia Tabosa

[Itália] Bolonha: carta de Martino, da prisão de Dozza

Terrorista é aquele que aprisiona e deixa cair bombas, e não aqueles que lutam contra tudo isso!
Meu nome é Martino, sou um dos anarquistas detidos em Bolonha, em 6 de abril passado, após uma nova onda de repressão orquestrada pelo Estado: uma operação que levou à detenção de cinco companheiro/as, a expulsão de outro/as 7, um grande número de buscas (realizadas simultaneamente em diferentes cidades) e até mesmo o seqüestro do espaço de documentação Fuoriluogo (que passou a ser um lugar onde textos radicais críticos são distribuídos e que organiza semanalmente eventos públicos, para ser uma fortaleza inexpugnável  aos terroristas), em uma investigação em que o promotor havia trabalhado por muito tempo e, após alguns ataques anônimos ocorridos na cidade em uma semana contra a IBM [1], a ENI [2], Emil Banco [3] e Lega Nord [4], decidiram que era hora de seguir (embora na síntese de documentos  fornecidos no momento da nossa prisão, não há nenhuma referência a estes fatos, com boa paz para os jornalistas reacionários).
Em um clima de linchamento midiático, destinado a intimidar às muitas pessoas a aderir à luta em que o/as anarquistas são comprometido/as – devido à “terra arrasada” em torno dele/as (que Maroni [5], anunciou a sua descida mortal na cidade) – a detenção de uma pessoa era necessária.
Desde que a polícia está e em estado ali, tudo está sob controle.
Somos os mesmos de sempre: todas as expressões de dissidência não recuperável devem ser refutadas, limitada a uma “guerra particular” entre o Poder e seus inimigo/as declarado/as, para acalmar a sua trajetória social e para neutralizar seu potencial.
Assim, subtraindo-se os anarquistas, haveria neste mundo de conforto sujeitos dóceis convencidos que vivem no melhor dos mundos possíveis.
No entanto, observem que no mundo em que vivemos, não há necessidade de ser um dos subversivos: desde a ameaça nuclear iminente à guerra de ocupação na Líbia e no exterior, a militarização sentencia à prisão os imigrantes em suas próprias casas… a catástrofe diária da sociedade mercantil é sofrida por todos.
Em um momento em que a obscura resignação, que muitas vezes paira sobre a costa mediterrânea do norte, é iluminado pelas insurgências que inflamam a costa sul.
No momento em que a OTAN publicou um relatório (Operações Urbanas no ano de 2020), onde seus analistas prevêem cenários para o ano 2020, com uso massivo do exército para reprimir as revoltas nos subúrbios pobres das grandes cidades ocidentais.
Em tempos de crise, não é surpreendente que a difusão do ideal anarquista (especialmente se defendido por indivíduos que não esperam com os braços cruzados pela futura chegada de uma humanidade federada e livre, e, pelo contrário, lutam aqui e agora se colocando em jogo) atrapalha os sonhos dos responsáveis.
Na verdade, quando se vê claramente, em uma sociedade como esta, a única “função” que é eticamente aceitável é a do inimigo interno:
 Eu não quero ser cúmplice de uma sociedade que destrói a terra em que vivem.
 Eu não quero ser cúmplice de uma economia que, para sobreviver, tem que seguir a guerra e reduzir populações inteiras à fome.
 Eu não quero ser cúmplice dos guardas que seqüestram e assassinam nos quartéis, no CIE [6], em delegacias e presídios.
 Eu não quero ser cúmplice de uma sociedade que desenvolve a nanotecnologia e a manipulação genética para controlar as vidas e duplicar os requisitos da sua rentabilidade.
 Eu não quero ser cúmplice do racismo à caça de imigrantes, da prisão à espera de quem não se submete às leis de um país onde os governos podem mudar, mas seguem com câmeras, paus e arame farpado.
 Eu não quero ser cúmplice da hipocrisia religiosa e do turismo sexual, que muitas vezes é a sua contraparte.
 Eu não quero ser cúmplice no massacre em curso de milhões de animais criados e engordados para servir de comida à indústria que envenena e mata de fome, ou para testar produtos e entrar em novos mercados (mesmo que isso signifique a invenção de novas doenças para patentear novas drogas).
Pelo contrário, saúdo e abraço aqueles que lutam contra tudo isso: a solidariedade com os companheiros de prisão na Itália, Suíça, Alemanha, França, Grécia, Espanha, Chile, Argentina, México e Estados Unidos, com os Mapuches em luta por suas terras, com os Freedom Fighters [7] no Delta da Nigéria [8], a insurgência no Magrebe e com luta de todos que não sabem ou não o nome.
Obrigado pela grande solidariedade demonstrada para mim e os outros detidos [9].
Sempre por parte daqueles que, esmagados por um céu pesado, escolham provocar a tempestade!
Cada vez mais lúcido! Cada vez mais furioso! Sempre com a cabeça erguida! Sempre com raiva!
Pela anarquia!
Martino Trevisan
Notas:
[1] International Business Machines (Máquinas Internacionais de Negócios). A IBM é uma empresa multinacional estadunidense que fabrica e vende instrumentos, programas e serviços relacionados à informática.
[2] Ente Nazionale Idrocarburi (Empresa Nacional de Hidrocarbonetos) é uma empresa italiana de energia elétrica. Usa petróleo, gás natural e petroquímico.
[3] Emil Banco de Crédito Cooperativo é um banco italiano especializado em empréstimos.
[4] Lega Nord (Liga Norte) é um partido político italiano que conta exclusivamente com o apoio político do norte da Itália e é o expoente do nacionalismo padano (que consiste na luta pela autonomia em várias regiões da Itália). Politicamente, pertence ao populismo de direita.
[5] Se refere a Roberto Maroni, vice-líder da Lega Nord.
[6] O Centro di Identificazione e dEspulsione (Centro de Identificação e Expulsão) é a entidade xenófoba italiana responsável pela regulação da imigração.
[7] Lutadores da Liberdade, em inglês.
[8] O Delta da Nigéria é uma região densamente povoada no sul da Nigéria.

[9] Refere-se aos demais presos nas operações: Robert Ferro, Nicusor Roman, Stefania Carolei e Pistolesi Anna Maria.

agência de notícias anarquistas-ana
pássaro tenor
afina a garganta
ao sol se pôr
Carlos Seabra

[Rússia] “Libkon 2011” acontece neste fim de semana em Moscou

Comunicado:
Uma saudação fervorosa para os nossos queridos amigos e amigas anarquistas! Gostaríamos de dizer algo sobre o fórum “Libkon 2011” a ser realizado nos próximos dias nos arredores de Moscou..
O objetivo do fórum é melhorar os mecanismos de coordenação entre os anarquistas de diferentes cidades e países, ademais eles poderão trocar experiências, apresentar novos projetos, mostrar novas formas de treinamento físico, demonstrar suas habilidades e capacidades.
Os participantes poderão partilhar experiências sobre as ações realizadas e dizer como superaram as dificuldades que possam ter surgido durante a execução destas, e aprender mais recursos para manter a segurança pessoal dos ativistas.
Este ano queremos tornar o fórum o mais útil possível para o movimento. Já estamos cansados das brigas divisionistas, das discussões sobre qual anarquia é melhor, e as querelas pessoais e conversas sem sentido sobre o que não podemos mudar na vida real.
Desta vez no fórum não haverá palestras sobre a história e teoria anarquista. Iremos nos concentrar em discutir problemas específicos de serem resolvidos agora, e que estão em nossas mãos para resolvê-los.
Queremos que o fórum seja tão independente quanto possível. Então, decidimos realizá-lo na natureza. Assim, os custos serão compartilhados entre todos os participantes. A comissão organizadora terá em suas mãos, simplesmente a execução das mais primordiais e indispensáveis tarefas. Mas no fórum todas as obrigações serão distribuídas entre os participantes. O fórum será como nós todos juntos o façamos!
Nós escolhemos as datas de 7 a 9 de maio, porque elas não são apenas dias festivos na Rússia, mas porque uma empresa que todos conhecemos faz descontos em bilhetes de trem de até 50%. Enquanto o mais anarquistas seria pegar carona… você pode viajar 1000 km em 20 horas, sem qualquer problema e sem pagar um centavo.
Agora, como nunca, precisamos de coesão e de solidariedade. Nossos inimigos são muito fortes, e devemos estar conscientes disso. Devemos ser mais fortes e inteligentes, fisicamente e espiritualmente. Não necessitamos de utopias, mas a anarquia, aqui e agora.
Mais infos:
libcom2011@inventati.org
Vídeos “promocionais” do fórum:
http://www.youtube.com/watch?v=wwpsnSMaKKo&feature=player_embedded  

http://www.youtube.com/watch?v=OxhdZOA3SS0&feature=player_embedded

agência de notícias anarquistas-ana
Calma de primavera –
O monge da montanha
Espia através da cerca.
Issa

[Japão] Reportagem sobre a Manifestação Anti-Nuclear de 10 de abril em Tóquio

[Em 10 de abril passado aconteceu um dia de protesto contra a energia nuclear e as armas em Koenji, Tóquio, e em outras cidades do Japão e do mundo. Um anarquista japonês mandou um breve relato descrevendo a ação em Tóquio. Confira a seguir.]
Sim, a manifestação em Koenji foi incrível, ficamos surpresos com o número de participantes, 15.000! Esta foi a maior marcha que aconteceu aqui no Japão há décadas.
E é importante notar que os manifestantes, em sua maioria, não estavam organizados em partidos políticos ou sindicatos, eram simplesmente indivíduos. Pude sentir o poder das massas pela primeira vez no Japão.
No Japão, como você sabe, o controle nas ruas feito pela polícia é muito forte e o nosso movimento não é tão grande. Daí, sempre temos que marchar em uma “linha” da rua [“para permitir que o tráfego passe”]. Mas nesta oportunidade as pessoas tomaram um lado inteiro pela primeira vez em trinta anos!
Não somente a polícia mas também nós, o/as organizadore/as, não conseguíamos controlar o movimento e a manifestação das pessoas. Foi uma Zona Anárquica (apoio mútuo) Temporária criada pelas pessoas. Esta foi a “manifestação”. 
E também a arte gráfica presente neste protesto foi realmente muito bem feita e deu a ele uma forte presença visual, uma inspiração para todos nós!
Aqui estão os vídeos da manifestação em Tóquio:
E fotos aqui:
E as artes gráficas aqui:
Nova manifestação antinuclear
Haverá um segundo protesto antinuclear em 7 de maio no Japão. Mensagens de solidariedade internacional envie para 410nonuke[arroba]gmail.com.
Mais infos:

Tradução > Marcelo Yokoi

agência de notícias anarquistas-ana
velho haicai
séculos depois
o mesmo frescor
Alexandre Brito

[Grécia] Policial que matou o jovem Alexis Grigoropulos levou outra surra

Na quarta-feira retrasada (27 de abril), à tarde, durante um encontro casual de prisioneiros das alas D e E da prisão de Domokos, o anarquista Damiano Bolano pela segunda vez ficou cara a cara com Epaminondas Korkoneas, 39 anos, o policial que matou a tiros o adolescente grego Alexis Grigoropulos em Atenas, em 6 de dezembro de 2008.
Embora nesta ocasião Korkoneas tivesse com ele um amigo, Damiano confrontou os dois e sapecou alguns tapas em ambos, que correram assustados.
[Notícia relacionada]
“Como um anarquista revolucionário tinha a obrigação de dar uma surra no assassino de um companheiro”

http://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2011/04/06/grecia-como-um-anarquista-revolucionario-tinha-a-obrigacao-de-dar-uma-surra-no-assassino-de-um-companheiro/

agência de notícias anarquistas-ana
sol nas poças d’água
carro passa
espalha tarde na calçada
Alonso Alvarez

[Portugal] 1º de Maio anticapitalista e libertário é alvo de repressão brutal em Setúbal

Pelo 2º ano consecutivo realizou-se em Setúbal um 1º de Maio anticapitalista e anarquista. Ao apelo responderam cerca de 200 pessoas de diversas partes de Portugal, que se manifestaram de uma forma coesa e anti-autoritária. As palavras de ordem, bandeiras negras, verdes e negras e rubro negras e as faixas não deixavam sombra de dúvida: a guerra social, a  insurreição, a recusa de submissão ao patrão, ao Estado, ao capital: ” o povo unido não precisa de partido”,  “auto-organização”, “o povo organizado não precisa do Estado”, “Sabotagem… greve selvagem!”
Um manifestante que enfrentou a polícia foi baleado em ambos os joelhos, pensa-se que com balas de borracha, embora fossem utilizadas armas reais. Testemunhas recolheram fotos e cápsulas de balas reais. O manifestante foi preso, tendo sido acionado imediatamente contato com advogado. Inúmeras pessoas foram feridas seja pela utilização de cassetetes seja pela utilização de gás lacrimogêneo e balas de borracha a pequena distância. Os polícias atiravam sobre garrafas vazias de modo que estilhaços atingissem os manifestantes. Pequenos grupos em fuga foram perseguidos tendo sido atiradas balas de borracha que atingiam com gravidade, nalguns casos os manifestantes.
Vale ressaltar a colaboração solidária da população que abrigou em suas casas alguns dos feridos com gravidade. A polícia barrou o final da manifestação e iniciou a repressão. Muitas pessoas atingidas no pescoço e muitas nas costas e abdômen.
O que se assistiu em Setúbal foi uma tentativa de impor terrorismo policial numa manifestação pujante e solidária plena de revolta perante uma situação insustentável: o ataque capitalista e a ingerência do FMI em Portugal.

Emília Cerqueira

agência de notícias anarquistas-ana
Vamo-nos, vejamos
a neve caindo
de fadiga.
Matsuo Bashô

[França] Lyon: Uma TAZ contra o Estado fascista francês

No dia 10 de abril, domingo, ocorreu na Place de la Croix-Rousse (Praça da Cruz Vermelha), em Lyon, uma TAZ (Zona Autônoma Temporária) contra a lei LOPPSI 2, com o lema: “Manifestival por nossas liberdades”. O acampamento de resistência reuniu centenas de pessoas, entre crianças e adultos, num ambiente divertido, animado e subversivo.
O evento contou com diversas atividades: bate-papos, feira de trocas e sem preço, concertos, teatro, performances, roda de brincadeiras, pinturas etc.
Recentemente, a Assembléia Nacional Francesa aprovou em primeira instância a Lei de Orientação e Programação para a Segurança Interior, a lei LOPPSI 2. O objetivo das autoridades francesas com essa lei draconiana é “tornar a França um lugar mais seguro”, permitindo que o governo instale trojans nos computadores dos usuários para monitorá-los.
A LOPPSI 2 abrange diversas áreas, como criminalização do roubo de identidade na web e pedofilia, e prevê maior investimento da polícia na ampliação do banco de dados de DNA, monitoramento do acesso à internet, grampos de linhas telefônicas, entre outros assuntos.
Uma das propostas da lei LOPPSI 2 obriga provedores de acesso a bloquear ou filtrar sites que o governo determinar.
Para ampliar esta luta contra a lei LOPPSI 2, vários acampamentos de resistência e ação estão sendo organizados ao redor da França, por frentes, redes, organizações, associações, grupos, sindicatos, movimentos, formal ou informal.
Galeria de imagens da TAZ:

http://www.flickr.com/photos/atelierdecreationlibertaire/with/5646818647/

agência de notícias anarquistas-ana
Num vôo direto
o pássaro volta
procurando um teto
Eugénia Tabosa

[Alemanha] Milhares de pessoas participam de passeata contra a gentrificação em Hamburgo

Uma multidão de aproximadamente 6 mil pessoas participaram ontem (30 de abril) de uma passeata, em Hamburgo, contra a gentrificação e a ameaça de despejo do espaço libertário Rote Flora. O ato foi acompanhado por uma presença massiva da polícia.
Os manifestantes, muitos vestindo preto, com o rosto coberto, percorreram diversas ruas do centro de Hamburgo, carregando faixas e gritando palavras de ordem contra o desenvolvimento urbano capitalista e a ameaça de evacuação do espaço Rote Flora.
Alguns grupos de anarquistas quebraram os vidros de algumas viaturas da polícia e pelo menos um carro estatal foi incendiado. Os manifestantes também atacaram a vitrine de uma imobiliária.
Após a passeata houve confrontos entre manifestantes e a polícia. A polícia usou canhões de água e cassetetes para dispersar os protestantes. As forças de segurança prenderam dezenas de pessoas. A operação policial também deixou vários ativistas feridos.
O Rote Flora é um antigo teatro em Schanzenviertel, Hamburgo, que foi ocupado por movimentos anarquistas. Hoje é um centro cultural alternativo.
Imagens do protesto:

http://www.flickr.com/photos/pm_cheung/sets/72157626493582513/

agência de notícias anarquistas-ana
casa quieta –
cochila o avô e
dorme a neta
Carlos Seabra

[Suíça] Marco Camenisch é transferido pela segunda vez em 6 meses!


O eco-anarquista preso Marco Camenisch foi transferido pela segunda vez em 6 meses. Desta vez foi levado à cadeia de Lenzburg, em Argovia. Ninguém sabe o porquê. O que está claro é que cada traslado torna-se um grande estresse para o preso. Uma situação nova, um novo regime, novos vexames.
Marco precisa de nossa solidariedade! Por 20 anos está como um prisioneiro político.
Envie cartas de apoio: 
Marco Camenisch
Justizvollzugsanstalt Lenzburg
Postfach 75
5600 Lenzburg
Suíça
Um pouco de história
Marco Camenisch: Prisioneiro eco-anarquista suíço, ativo durante a década de 70, realizou uma campanha feroz contra a indústria nuclear, atacando torres de energia e sabotando centrais nucleares. Foi preso em 1980, mas escapou da prisão no ano seguinte, durante a fuga realizada com outros cinco presos – um guarda foi morto a tiros e outro ficou gravemente ferido. As autoridades acusaram Marco de ser o único a disparar a arma. Embora tenha sempre negado.
Esteve por 10 anos foragido, vivendo nas montanhas e cooperativas, até que foi preso na Itália em 1991; durante sua detenção iniciou-se um tiroteio no qual Camenisch feriu um carabineiro, Marco também foi ferido e preso.
Sua casa foi revistada e foram encontradas duas pistolas e seis bombas caseiras. Em 2002 ele foi mandado para a Suíça, onde ele está agora.

Camenisch sempre manteve sua atitude contestatória, publicando de artigos em vários jornais, fazendo greves de fome e outras manifestações.

agência de notícias anarquistas-ana
silenciosamente
uma aragem enfuna
as cortinas enluaradas
Rogério Martins

[Canadá] A sacudida do rap conspirativo do “Test Their Logik”


A dupla de hip hop anarquista foi impedida de conviver depois de ser presa no G20
Enviar rappers para a prisão por causa de um clipe parece ser um pouco demais – mas não além das possibilidades na era do G-20 de Toronto.
O grupo de hip hop anarquista Test Their Logik (Teste a Lógica Deles, em tradução livre) – de volta à turnê depois de combater acusações de conspiração que os impediram de terem contato um com o outro – dizem que isso aconteceu durante junho do ano passado.
Os MCs Testament e Illogik, cujos nomes reais são Darius Mirshahi e Chris Bowen, foram presos em flagrante e algemados em um domingo. Os “crimes”, até onde eles sabem, foi andarem com ativistas, planejarem protestos e fazerem um vídeo de rap convocando outras pessoas a fazerem o mesmo.
O musicalmente e liricamente intenso “Invada a Reunião” – que foi assistido mais de 50.000 vezes no You Tube – retrata tumultos e danos à propriedade, e mostra protestantes com faces cobertas. Mas planejar um protesto não é ilegal, e o vídeo deles não é o primeiro de hip hop a retratar atividades criminosas. Então qual é o limite?
Um dos maiores especialistas canadenses na cultura hip hop, Dalton Higgins, não tem conhecimento de nenhum caso em que letras de rap foram usadas como prova legal, mas disse que promotores americanos têm enfrentado dificuldades em fazê-lo por algumas razões.
“Na America, o ato de usar as letras como uma prova na corte foi considerada uma violação da Primeira Emenda”, ele disse à NOW. “Por exemplo, é muito difícil provar na corte o que os rappers em questão de fato escreveram algumas ou todas as letras da música ou do CD”.
Na manhã das prisões, Mirshahi foi rodeado por oficiais OPP (Ontario Provincial Police – Polícia Provincial de Ontário) depois de entrar no seu carro no West End, enquanto Bowen foi arrancado do protesto de solidariedade aos presos do lado de fora da prisão improvisada da Eastern Avenue. Eles foram levados para a mesma cela estilo gaiola e os oficiais os diziam repetidamente que a razão seria sua música e política radical.
“Todos os guardas sabiam que éramos rappers”, disse Mirshahi à NOW no domingo, por telefone, numa das paradas da turnê em Saskatoon (Canadá). “Um deles disse algo como ‘Vocês são os rappers – vocês são o ás de espadas dessa merda”.
“Por que eu sou o ás de espadas? Porque eu fiz uma música? Isso é ridículo”.
Eles acabaram por ser liberados, mas não antes de aproveitar a oportunidade de entreter seus companheiros de prisão com uma canção controversa (que o escritor Tommy Thompson, numa cela próxima, descreveu como um “momento brilhante para nós, no inferno da prisão”). Essa seria sua última apresentação juntos por cinco meses.
Os dois homens foram acusados de conspiração, apologia ao crime e uso de máscaras que sinalizavam intenção de cometer um crime – acusações que foram suspensas em novembro, antes que fossem sequer fornecidas provas contra eles. Até então, eles foram proibidos de relacionarem-se como condições de sua fiança – tornando impossível fazer novas músicas ou shows.
“Naquele momento, eu percebi que eu tinha gasto $4.000… Aquelas eram as minhas economias para um ano inteiro”, disse Bowen.
Um porta-voz da Polícia de Toronto disse que ela não tinha nenhuma informação que pudesse divulgar a respeito das prisões, enquanto a OPP disse que era contra a política dos serviços policiais falar sobre suspeitos cujas acusações tenham sido retiradas ou mantidas.
Em resposta quanto as acusações que foram mantidas, um porta-voz do Ministério da Procuradoria-Geral disse que “a Coroa tem um dever permanente para avaliar a força de um caso e determinar se há perspectiva razoável de condenação. Neste caso, a Coroa determinou que baseado nas evidências disponíveis, o caso não preenchia esses requisitos”.
O advogado de Mirshahi e Bowen, Russell Silverstein, disse que os seus clientes não foram as únicas pessoas a serem presas sem motivos razoáveis durante o G20.
“Houve muitas pessoas que foram acusadas antes mesmo de alguém parar para analisar se haveria provas suficientes para julgá-las”, ele disse à NOW na semana passada.
Enquanto acusações mantidas podem ser revividas dentro de um ano, quando foram julgados, os dois rappers acreditam estar fora da mira da justiça por agora e estão gratos por estarem fazendo música e seguindo com suas vidas.
“Foi uma bênção camuflada em alguns aspectos”, declarou Bowen. “Eu sabia que, a longo prazo, isso fortaleceria nossa mensagem”.
A mensagem – que fala contra autoritarismo, capitalismo e corporativização – está lado a lado com o hip hop, dub step e influencias de beats e house no novo álbum Test Their Logik, chamado “A”. Eles estão em turnê antes de seu lançamento, que será em 14 de maio, e têm um show marcado sábado em Toronto, como parte das atividades da Feira do Livro Anarquista.
Quando questionados sobre se têm algum receio de que algumas pessoas considerem suas inclinações políticas repugnantes, os dois prontamente defendem-se dizendo que o que eles vêem é uma ideologia baseada na igualdade e auto-determinação.
“Eu quero fazer um mundo com o mínimo de violência possível”, disse Bowen, que é também praticante de artes marciais e instrutor de yoga. “Mas se as pessoas ficam revoltadas com janelas quebradas, mas não com comunidades quebradas, eu realmente questiono seus valores”.
Por Saira Peesker
Fonte: NOW Magazine
Vídeo “Invada a Reunião”:
http://www.youtube.com/watch?v=ninV5yx7FW4
Mais infos:
http://www.testtheirlogik.com/   
Tradução > MCarol Recôndita
agência de notícias anarquistas-ana
Como versos livres
– ao toque dos tico-ticos –
as flores que caem…
Teruko Oda